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A mostrar mensagens de Abril, 2007

A vala comum

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Chegou. Entornou as chaves na cama e o casaco na cadeira. Desfez o nó da gravata, mergulhou no sofá e murmurou “Estou morto!”… a rotina do escritório, o stress da hora de ponta, a inconfundível voz do chefe a exigir tarefas milagrosas para dias com “apenas” 24 horas…

5 minutos bastaram para que o ruído da televisão o embalasse. Voa até ao outro lado e está quase a pousar quando é subitamente interrompido pelo grito do bebé que chora, enquanto luta com a mãe por causa de uma colher de sopa. “Filhos!” abana a cabeça e vira-se para o outro lado, na esperança de encontrar um pouco de descanso, até despertar com o convite emocionante do costume “P’rá mesa! O jantar está pronto!”.

Semi-acordado, arrasta-se até à cozinha. A batalha mãe-filho prossegue, enquanto ele passa os olhos pelo versículo do dia “Desperta, tu que dormes, e levanta-te de entre os mortos e Cristo te esclarecerá.” Ef 5:14… A voz da criança desvanece. A melodia da esposa evapora. Sem avisar, o coração acelera e o olhar aba…

De Pai para filha

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Ele já falou tantas e tantas vezes que perdi a conta. Mensagens, tempo devocional, livros, estudos bíblicos, testemunhos, músicas, profecias... Falou através de homens e de mulheres. Falou através do Seu Filho. Falou ontem.... e hoje? Hoje Ele falou comigo.

As ideias eram as que tantas vezes escutei. O conteúdo não foi alterado, porque Deus não muda. As verdades foram, ao fim e ao cabo, iguais às mesmas que Ele tanto me quis mostrar nos últimos tempos.

Mas eu ficava distraída. Ele insistiu comigo. Usou outra voz para proclamar na minha linguagem aquilo que estava adormecido, a precisar ser despertado. Havia uma parede da minha casa espiritual que estava a ruir pouco a pouco, sem me dar conta. Aquela parede que retocava esta e outra vez. Ele sabia que era preciso mais que tinta. Era preciso uma restauração.

O canal humano quase desapareceu e sobressaiu simplesmente aquilo que o Pai desejava há tanto tempo dizer à filha – eu.

A comunicação da Sua Palavra foi simples, mas enquanto escut…

Princípios essenciais para uma Escola Dominical relevante

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Há tempo estava a conversar com um amigo pastor acerca do trabalho com esta nova geração. As necessidades e dificuldades inerentes, os desafios que estão à nossa frente. Ele disse algo com o qual concordo plenamente “precisamos apresentar as mesmas verdades, mas com uma nova roupagem”.
Quando penso na minha infância e na Escola Dominical da altura, preciso ser honesta: era um ensino relevante para a minha geração numa linguagem que compreendíamos. No entanto, grande parte dessas pessoas perdeu-se, principalmente na adolescência. O mesmo tem acontecido noutras gerações posteriores e anteriores a esta. Denota-se uma realidade: falhou alguma coisa.
Poderíamos apontar muitas causas para esse factor: a realidade da igreja local, a progressiva alienação da família em relação à sua responsabilidade da educação global dos filhos (vida cristã incluída), as transformações da sociedade nos anos 80 (pós 25 de Abril), entre tantas.
Quero lembrar três coisas que se tornam relevantes ainda hoje para …

Pentecostais "não praticantes"

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O título é bastante explícito e até pode ser polémico... A constatação que faço é que estamos perante uma real deficiência da perspectiva do que é ser cristão pentecostal. Em termos globais, constatamos isto no panorama geral da Igreja, sendo o reflexo da crise de cada crente a nível individual, quer seja líder ou não – e isto inclui-me a mim.
Não sou perita em Teologia, nem em História da Igreja, mas quando comparo o livro de Actos dos Apóstolos à realidade do movimento pentecostal no nosso país, de uma forma geral, verifico que existem disparidades e diferenças.

A distorção daquilo que é o cristianismo toca todas as áreas, incluindo esta de tanta importância para nós – os Pentecostais. Vivemos mais do que nunca a igreja do “eu” e não a igreja do “nós”. A experiência pentecostal deveria ser para edificação pessoal, sim, mas sempre tendo em vista a ousadia para sermos testemunhas e também edificar a igreja. Mas o facto é que se foi tornando numa experimentação de sensações passageiras,…