21 maio 2007

Carlos Baptista, Pastor e Amigo

Quando se perde um amigo como o Pr Carlos Baptista não se consegue dissertar totalmente aquilo que nos vem à mente e ao coração. Vêm à memória tantas coisas ao mesmo tempo que esgotam todos os lados possíveis do significado da palavra saudade.

Conheci-o com os meus dezoito anos, num retiro de Jovens da minha igreja, no Carrascal. Pouco depois, no dia em que fui baptizada com o Espírito Santo, em Outubro de 1993, convidou-me para fazer ilustrações para as Novas de Alegria. De seguida veio o desafio de renovar a Boa Semente, criar a BSteen, os seminários para professores de Escola Dominical, os Enjuniores, o Oeste Júnior, o meu primeiro livro... e os sonhos iam ganhando forma e tornando-se realidade.

Muito daquilo que faço e sou hoje devo-o ao apoio do Carlos mas se terminasse aqui, estaria a limitá-lo a um homem dedicado na obra de Deus... ele foi mais do que isso.

Foi alguém que acreditou nas pessoas – principalmente nos adolescentes e jovens. O Pr Carlos Baptista ajudou e treinou muita gente em áreas tão distintas como o teatro, Escola Dominical, edições, entre outros. Acompanhou e guiou-os, para crescerem sem perderem a sua própria identidade. Alguns deles estão hoje no ministério a tempo integral ou a preparar-se para tal. Ele tinha o seu coração ligado a Deus e uma paixão e compaixão enorme pela nova geração. Foi um conselheiro, um companheiro, um lutador, um amigo.

Depois de meses a resistir a diversos problemas de saúde, foi recebido no Céu. Desde 6ª feira, dia 18 de Maio, que está na presença do seu Pai e Senhor.

O exemplo que nos deixou é um desafio que nos deve fazer reflectir. O legado que fica é uma herança que devemos honrar e saber continuar, com o mesmo princípio e objectivo que guiou este Pastor e Amigo – fazer o nome de Deus conhecido e reconhecido neste país.

O Carlos foi um Pastor que marcou muitas vidas e um Amigo que nunca irei esquecer.

Ver também: blog Papéis na Gaveta

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Nota 10/10/2015

Se ontem fosse vivo, o pastor Carlos Baptista teria sido homenageado pelos seus 25 anos de ministério. Nos últimos dias, vários colegas falaram do investimento que ele fez, enquanto esteve entre nós... não podia deixar de recordá-lo, não com saudosismo mas como inspiração - investir nos outros, mesmo quando ainda são "miúdos", e deixar os resultados com Deus. 

07 maio 2007

O espelho retrovisor


Ainda se lembra daquele dia em que conduziu um automóvel pela primeira vez? Aquelas aulas de condução com o desafio do ponto de embriagem e a clássica postura “banco tão chegado à frente que o queixo e joelhos batem no volante”.

Entre o nervosismo de estar no meio do trânsito em hora de ponta sem infrigir nenhuma regra do Código da Estrada e o stress de não deixar o carro ir a baixo, ainda havia o instrutor, mais ou menos simpático, que nos relembrava o que fazer em cada manobra.

Como bons alunos, e porque não queriamos chumbar no exame, levavamos tudo muito a sério e pensávamos cinquenta vezes antes de fazer qualquer manobra mais perigosa ou complicada.

Uma das coisas que demorei mais tempo a aprender foi a ultrapassar. Tive a felicidade de ter um instrutor muito profissional, simpático e paciente que me ajudou com as suas preciosas indicações. “Vá lá, primeiro olhe para os espelhos e veja se pode fazer a manobra…” Depois de diversas tenativas frustradas, houve um dia em que as coisas correram bem e ultrapassei um veículo pela primeira vez… afinal, até era fácil!

Já passaram mais de 8 anos desde essa altura. Com o passar do tempo, fui ganhando auto-confiança e hoje conduzo de forma tão natural que nem preciso pensar… os gestos e as manobras já estão automatizadas.

Não lhe acontece, por vezes, já nem olhar com aquela atenção pelo espelho retrovisor ou pelos espelhos laterais e ultrapassar confiante de que está tudo bem? Os riscos são ouvir umas buzinadelas, apanhar um grande susto e mesmo ter um acidente.

É interessante que quando começamos a nossa caminhada com Deus também somos muito cuidadosos. Estamos sempre atentos, não perdemos as aulas de código (estudo bíblico), nem faltamos às de condução (comunhão diária com Deus). O nosso único objectivo é não desiludir o nosso Instrutor de Vida…

Depois, passamos os primeiros testes, as primeiras lutas e vitórias nos embates do dia-a-dia e vamos confiando mais e mais em Deus.

O perigo está no facto de que a nossa confiança em Deus pode passar, sem darmos por isso, para auto-confiança… Ou seja, começamos a confiar mais em nós e na nossa capacidade para ultrapassar os problemas, do que no nosso Redentor. Passamos apenas a pedir (orar) e deixamos de pensar (vigiar)… Deixamos a mão do nosso Pai e assumimos uma lenta e subtil emancipação espiritual, sem pensar nos riscos que corremos.

O apóstolo Paulo falou à igreja de Éfeso acerca da importância de crescermos, de nos tornarmos espiritualmente adultos e maduros… mas o mesmo escritor lembra-nos que devemos de seguir, de correr para o alvo… o mesmo alvo que tivémos no dia em que nos rendemos à evidência da necessidade de ter Jesus a reinar na nossa vida.

Que a nossa confiança esteja assente nas experiências com Deus que coleccionamos ao longo da vida, e não nas nossas capacidades, resistência ou inteligência para ultrapassar as barreiras. Afinal, sabemos o Código Eterno e temos o Instrutor que está ao nosso lado a toda a hora para nos aconselhar…

Esteja atento, não confie apenas na sua experiência e lembre-se do espelho retrovisor.

Artigo Publicado na Revista Novas de Alegria Junho 2006, mas escrito em 2004.