02 janeiro 2011

“Era uma vez...”

Das memórias da nossa infância recuperamos o título. As histórias de encantar que nos adormeciam e faziam florescer a imaginação, não podiam começar de outra maneira.

O elenco tinha de tudo um pouco: lobos, avozinhas, princesas, dragões, cavaleiros, castelos. A trama variava, aqui e ali. O fim, como o princípio, era sempre igual: “e viveram felizes para sempre”.

Eram essas e outras coisas que fantasiavam o nosso mundo. Eram essas histórias com final feliz que nos criaram os sonhos e os desejos até lidarmos com a realidade.

A vida não se propôs como um conto de fadas. Descobrimos que os sonhos às vezes ficam-se pelas nuvens, que os problemas são reais e muito palpáveis e que não terminam duas horas depois, como um filme de encantar.

Ao longo do tempo construímos o que somos e deixamos que os outros construam connosco e em nós a nossa história, mesmo sem dar por ela. Vendemo-nos pelo que pintámos como ideal. Decidimos inconsequentemente, pelo aparente. Abrimos espaço para talvez encontrar um caminho para o tal final, que reciclamos consecutivamente, da nossa infância.

Não é preciso ter a bola de cristal das personagens do nosso imaginário infantil para ver que, no futuro, mesmo aprendendo com os erros, voltamos a errar o alvo, a fazer remendos e a viver numa felicidade precária.

A juntar a isso, dizem-nos à boca cheia que vamos para o nada, porque é de lá que vimos. Dizem-nos nos bancos da escola, nos anfiteatros das faculdades, nos meandros da cultura, nos meios de comunicação, nas conversas de café. Se assim for, não vamos viver felizes para sempre. “Felizes”, vamos tentar... mas nem pensamos muito no “para sempre”.

Mas a história pode ganhar outro rumo. Talvez da forma menos pensada, inesperada, e até um pouco estranha para o mundo de soluções efémeras que nos vendem a todo o custo. 

Tudo depende de quem escreve a minha e a tua história. Talvez precises procurar alguém que te leve a um final feliz, mesmo que tenhas vindo de um “era uma vez” horrendo, vergonhoso, triste. Alguém que não se importe de quem és, nem de onde vens, mas quer levar-te até onde nunca imaginaste.

Um final realmente feliz, mesmo que o percurso até lá ainda tenha buracos, quedas e acidentes... Um final feliz para uma vida escrita com a tinta da alegria, da paz e segurança mesmo no meio dos desafios mais sombrios.

O primeiro passo é abandonar a caneta e o papel do passado, assumindo o limite de sucesso que preenche as páginas do que já foi.

Quanto a mim, quero que esta seja a minha história: “Era uma vez... [Jesus] e viveram felizes para sempre”.

“Deus amou tanto o mundo que deu o seu único Filho [Jesus] para que todo aquele que nele crê não se perca espiritualmente, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16, versão “O Livro”)

Ana Ramalho Rosa

in revista Novas de Alegria, Janeiro 2011

01 janeiro 2011

Não faças beicinho!

Estava à espera de alguém para irmos juntos a uma reunião por causa de um projecto, no sítio e à hora combinada. Liguei para avisar que tinha chegado ao local e... nada! Liguei de novo e... voice mail. Entretanto, 10 minutos depois, recebo uma mensagem a dizer “Desculpa, Ana, mas não vai dar para ir.” Ainda insisti, mas sem sucesso.

Fiquei muito chateada, confesso. Não só por estar a receber aquela mensagem depois de esperar quase um quarto de hora, mas também porque tínhamos mudado a reunião por causa desse membro da equipa. Ele sabia que o seu trabalho era muito importante e eu insisti para que estivesse.

Sabes, às vezes fazemos “beicinho” porque não acontecem coisas na igreja, porque não há qualidade na música, os coros da Escola Dominical são do tempo da minha avó, o site está desactualizado, não há mais eventos, as reuniões de jovens são “uma seca”, existem muitos “grupinhos”, porque isto e aquilo está mal organizado... e ali ficamos nós, com o nosso “beicinho” como se fôssemos bebés a quem o papá e a mamã não fizeram as vontades todas.

Não estou a dizer que tudo o que se faz é bom... ainda há pouco tempo tivemos que avaliar e reorganizar a forma como estávamos a trabalhar na BSteen para servir-te melhor e a todos os teens do país. Claro que há muito para se melhorar. Só no Céu é que tudo será perfeito!

Há gente demais a apontar o dedo para os erros dos outros e pouca gente disposta a usar as mãos naquilo que é útil. Não vais mudar o mundo de um momento para o outro. Não vais transformar as coisas à tua volta simplesmente por te queixares.

Precisamos mudar a nossa atitude em vez de estarmos sempre a exigir que os outros mudem. E isso não tem a ver apenas com DIZER que queremos estar neste ou naquele trabalho da igreja mas FAZER as coisas que assumimos fazer. Não procurar apenas ter um “título” mas servir com boa atitude e respeito por aqueles que nos lideram.

E se em vez de criticares tentasses perceber o porquê das coisas serem como são? E se te oferecesses para ajudar numa ou noutra área? Quem sabe terias oportunidade para aprender e ajudar a melhorar as coisas? E mais... pensa nisto: se todos fossem como tu, como seria a igreja?

Lembra-te do exemplo de Jesus: “Não façam nada que seja motivado por despique, nem que seja provocado por interesses pessoais. Mas sejam humildes: que cada um considere os outros superiores a si mesmo. Não pensem unicamente nos vossos interesses, mas procurem também aquilo que interessa aos outros. Que haja assim em vocês a mesma atitude que houve em Cristo Jesus, que, embora por natureza sendo Deus, não reivindicou o ser igual a Deus, mas desfez-se das suas regalias próprias, e tornando-se um ser humano, tomou uma posição de dependência, humilhando-se a ponto de se sujeitar voluntariamente à morte; não a uma morte vulgar, mas à morte da cruz.” (Filipenses 2:3-8)

Estou contigo!

Ana Ramalho



in revista BSteen, Janeiro 2011