08 março 2013

De cabelos em pé!

Há tempos vi na TV uma coisa me deixou os “cabelos em pé”. Um grupo de rapazes fazia a travessia de um arranha céus para o outro mas, em vez de usar a passadeira, resolveu esticar uma corda e fazer trapezismo a não sei quantos metros de altura. Eu, que tenho vertigens, nem queria imaginar a sensação. É verdade que havia uma corda de segurança... mas e se ela se partisse?

Todos temos medos. Medo do escuro, de alturas, de espaços amplos. Medo de ser gozado na escola, de ser rejeitado pela pessoa do sexo oposto com quem queríamos tanto namorar. Existem medos saudáveis, quando tem a ver com por em risco a nossa saúde ou da nossa vida. Os medos podem ser paralisadores. Por outro lado, a demasiada valentia pode ser terrível.

Há alturas em que Deus nos desafia para investirmos mais tempo na vida de outras pessoas, mas como temos medo de perder o nosso conforto, preferimos virar as costas a Deus e viver para o “nosso umbigo”. Por outro lado, podemos “atirar-nos de cabeça” para as situações, sem orar, pensar, nem pedir conselhos. Só porque quem nos convida para a festa é alguém popular. Só porque ele ou ela é o rapaz ou a rapariga dos nossos sonhos, independentemente da vontade de Deus. Só porque nos apetece.

Podemos viver à nossa maneira. Aí todos os medos são válidos porque quando avançamos “sem rede” podemos estatelar-nos no chão das nossas más decisões. Mas podemos convidar Jesus para ser o nosso Guia, a pessoa a quem seguimos, por quem estamos prontos a entregar tudo! Quando isso acontece, mesmo que venham lutas e desafios, agarrados à Palavra de Deus, que nos orienta nas pequenas e nas grandes decisões, sabemos que Deus não mente. Ele diz: “Não tenhas medo, porque estou contigo; não te aflijas, porque sou o teu Deus. Eu torno-te forte, ajudo-te, protejo-te com a minha mão direita vitoriosa.” (Isaías 41:19, BPT)

Estou contigo!


Ana Ramalho Rosa

in revista BSteen, março 2013

Texto escrito conforme o novo acordo ortográfico

02 março 2013

"Tenho medo!"

Eram 4h da manhã. De mansinho, bateu à porta do quarto dos pais. “Mãe” disse, “tenho medo!”. De imediato, sem pensar se o pai já estava acordado ou se a mãe estaria ainda a dormir, correu para eles e escondeu-se debaixo dos lençóis, enquanto o som do trovão assustou a tempestade lá fora.
No dia seguinte, o medo tinha desaparecido. Já o sol raiava e a menina, nos seus 4 anos de energia, brincava no recreio da pré-escola, como se a noite anterior fosse apenas um pesadelo.
Todos temos ou já tivemos medos. Medo do escuro, de alturas, de espaços amplos. Medo dos fantasmas do passado, da situação presente, da insegurança quanto ao futuro. Existem medos saudáveis – medo de atravessar de uma para a outra margem do rio fazendo equilibrismo numa corda, a 50 metros de altura. Talvez alguns o façam com muita ousadia... mas a maioria não o faz porque tem medo. Medo de cair, magoar-se e mesmo de perder a vida.
Muitas vezes os medos podem ser paralisadores. Por outro lado, a demasiada audácia pode ser destruidora. É verdade que não devemos “atirar-nos de cabeça” para todas as propostas que a vida nos oferece. Devemos viver pela fé, mas também sermos sábios e prudentes. Devemos aceitar as verdades da Palavra de Deus, sem reservas, mas a nossa vida deve ser guiada por ela em todas as coisas, situações e decisões – e não apenas numa série de benefícios que escolhemos para nos satisfazer egoisticamente.
Se quem comanda o leme da nossa vida somos nós mesmos, fazendo de Jesus um mero passageiro de conveniência, os nossos medos terão toda a razão de existir. No orgulho pessoal da sabedoria ínfima humana que colocamos acima de outra qualquer, mais cedo ou mais tarde, as velas rompem-se pela presunção. O mastro parte-se nos ventos fortes das consequências das más decisões. E ainda por cima, temos o descaramento de culpar o Criador pelas desventuras em que nos metemos.
Quando Jesus está no nosso barco, quando Ele comanda a nossa vida, os nossos medos são silenciados pela Sua presença. As nossas dúvidas dissipadas pela fé naquilo que Ele transmite na Sua Palavra. As nossas inseguranças destituídas de pompa e circunstância, mesmo quando o mar abana a embarcação e as lutas da vida deixam que a água da tribulação invada por momentos o nosso pequeno barco.
Sabemos quem nos guia. Sabemos quem nos ama. Sabemos que Ele sabe tudo. Soberano. Senhor. Salvador. Rei. Criador e comandante dos ventos e dos mares. Das vagas do oceano, das ondas ferozes da vida.
E isto, mais do que uma verdade racional, precisa ser um princípio real que vivenciamos, pois aceitamos pela fé as palavras d’Aquele que nos diz: “Não tenhas medo, porque estou contigo; não te aflijas, porque sou o teu Deus. Eu torno-te forte, ajudo-te, protejo-te com a minha mão direita vitoriosa.” (Isaías 41:19, BPT)
Escondemo-nos debaixo da Sua mão protetora. Refugiamo-nos à sombra da Sua Palavra, que é vida para nós. Entregamos os nossos medos, angústias e desilusões nas melhores mãos: aquelas que foram trespassadas, para que fosse possível sermos filhos de Deus.
Obrigado Jesus, porque estou em boas mãos – as Tuas!


Ana Ramalho Rosa

in revista Novas de Alegria, março 2013


Texto escrito conforme o novo acordo ortográfico