08 abril 2013

A vida não é um circo!

De todos os artistas de circo os que me impressionam mais são os que engolem e cospem fogo. É uma arte que exige muita técnica e cuidado. Como se diz: “Quem brinca com o fogo, queima-se”. Aqueles artistas sabem-no bem. Mas o ditado popular diz-nos mais: quando se brinca com coisas sérias, normalmente o resultado não é o melhor.

Na adolescência gostamos de experimentar coisas novas. Isso é normal. Mas, é preciso cuidado. Muitas vezes as nossas atitudes vão longe de mais e podemos magoar-nos a nós, aos outros, e, pior de tudo, não agradarmos a Deus. Pode começar como uma brincadeira, como um incêndio começa com uma pequena chama.

“Era só uma passa...” mas meses depois já estás a tirar dinheiro às escondidas aos teus pais para comprar. “Era só uma brincadeira...” mas desde esse tal “jogo do copo” coisas estranhas acontecem em tua casa...

“Era só um clip de 2 minutos...” mas, tempos depois já estás tão agarrado à pornografia que não consegue passar por uma rapariga sem pensar no que poderia acontecer. “Era só uma festa...” mas, depois daquela primeira bebida que o rapaz giro te ofereceu, não te lembras de mais nada. Só de acordar suja, abusada e perdida numa casa abandonada.

A vida não é um circo e tu não precisas ser um “malabarista” que brinca com aquilo que perece mais apetecido por ser proibido. Tem cuidado para que não sejam as tuas emoções, aquilo que “toda a gente da escola faz” ou “o contrário daquilo que os meus pais me dizem” a determinar como deves agir. Pede conselhos aos teus pais. Eles querem o melhor para ti. Procura conhecer a fundo a vontade de Deus para tudo, através da Sua Palavra. O Seu caminho é sempre o melhor para nós.

“Confia no Senhor de todo o teu coração: não te fies na tua própria inteligência. Apoia-te nele em tudo o que empreenderes e ele te mostrará como deves agir.” (Provérbios 3:4,6, BPT)

Estou contigo!

Ana Ramalho Rosa


in revista BSteen, abril 2013

Texto escrito conforme o novo acordo ortográfico

02 abril 2013

“É de pedir aos céus...”

“É de pedir aos céus, A mim, a ti e a Deus, Que eu quero ser feliz.”1 Não é este o refrão que se escuta nos olhares desenganados pelos dias, nas vozes que escrevem razões de desesperança, nas letras marcadas pelo ritmo atroz do medo do futuro?
Se a canção dá mote à ficção televisiva, o conteúdo exprime o anseio real do coração. Procura-se a felicidade pessoal mais do que qualquer outra coisa. Espera-se que ela nos chegue de mão beijada, ou pelo nosso extremo esforço.
No meu tempo de adolescente recolhi uma publicidade que me acompanha desde essa altura, com a seguinte frase: “quando não sabemos para onde queremos ir, todos os caminhos são errados.” Cada vez que olho para aquela folha, já gasta pela exposição ao sol e pelo tempo, imagino o ritmo frenético em que muitas vezes andamos, sem saber bem para quê, nem para onde.
A tentativa de encontrar o verdadeiro significado e a realização vai-se fazendo pela vida fora. Seja através de uma carreira ascendente. Do casamento com o “par perfeito”. Daquilo que se faz em prol dos menos favorecidos. Da fama, do poder, do dinheiro, do prazer. Mas, quando alcançamos aquela posição na empresa, quando nos comprometemos a viver a dois, quando o sucesso financeiro chega, o sorriso daqueles que ajudámos nos mima ou somos estrelas procuradas pelos paparazzi, o “efeito lua-de-mel” entretanto passa... e volta a insatisfação.
De facto, andamos de um lado para o outro, de um emprego para outro, de uma relação para outra, de uma cidade para outra, de um casting para outro, à procura de não sabemos bem do quê. Esta busca que vem desde sempre agarrada ao vazio insatisfeito de cada ser humano é um anseio pela água que mate a sede de paz, pelo pão que sacie a fome de alegria.
Foi o que aconteceu com a mulher samaritana. Depois dum encontro com Jesus, aquela mulher entende que finalmente achou aquilo que precisava, mas não imaginava. “A mulher disse: Eu sei que há de vir o Messias, chamado Cristo, e que quando vier nos explicará tudo. Então Jesus disse-lhe: Sou eu o Cristo. (...) A mulher deixou o balde junto ao poço e, voltando para a aldeia, disse a toda a gente: Venham ver um homem que me disse tudo o que eu fiz! Não será ele o Messias? Então o povo veio a correr da localidade para o ver.” (João 4:25-26, 28-30, OL).
Noutra ocasião, Jesus disse: “O pão verdadeiro é uma pessoa: é aquele que foi enviado do céu por Deus e que dá a vida ao mundo. (...)  Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá fome. Quem crê em mim nunca terá sede.” (João 6:33 e 35, OL)
Jesus é Aquele que satisfaz a nossa alma sedenta, o nosso coração esfomeado. Ele é o caminho que nos leva ao Pai (João 14:6). E, quando arrependidos das nossas escolhas erradas, dos nossos pecados, e desejosos de viver uma vida transformada por Ele, O seguimos, faça chuva ou faça sol, sabemos de onde vimos e para onde vamos.
A nossa canção é diferente. Não precisamos pedir para sermos felizes, porque somos mais do que felizes. Temos algo inigualável que Jesus ganhou para nós na cruz – a Salvação. Temos cá dentro a certeza que nos dá paz e tranquilidade – somos filhos de Deus (Romanos 8:16). Temos a alegria do Senhor, que é a nossa força, sejam quais forem as circunstâncias (Neemias 8:10).

Ana Ramalho Rosa


1 refrão de A Máquina (acordou), interpretado pelos Amor Electro

in revista Novas de Alegria, abril 2013

Texto escrito conforme o novo acordo ortográfico

S&L

Síria. Dois anos de revolta contra Bashar al-Assad. Mais de 46 mil mortos, só no mês de Março foram cerca de 6 mil pessoas a perder a vida. 

Mas nem só da Síria vive o mundo. Países como o Mali vivem dias de violência e guerrilha, a Venezuela encontra-se no marasmo eleitoral para erigir um Chavez 2... Enquanto isso, a "República Democrática" da Coreia do Norte faz jogos de birra com outras nações. É a idade dos déspotas como Chavez, al-Assad ou Kim Jong-Un e estão a fazer por merecer os seus palcos de fama. 

Na Europa dos bons costumes, da sociedade culta, o Velho Continente de onde procedem os EUA e outra parte do mundo, o terrorismo já não é temido por vir da Al-Qaeda, do IRA ou da ETA. O terrorista já não é um fanático religioso ou um separatista nacionalista. Agora são os brokers, os CEO's, os ministros, os primeiros-ministros, os presidentes, as máquinas governativas, os empresários hiper-inflaccionados... Os bancos, as holdings privadas, as offshores e os fundos de investimento são os novos senhores feudais.

A falência dos valores morais da actual sociedade já está assinada. Uma sociedade em que nos entretemos com a matança no Jornal da Noite, onde vemos a pobreza durante o jantar e onde são veneradas as figuras públicas que vivem como pequenos Buda's; é uma sociedade decaída. É uma sociedade em acelerado estado de decomposição, onde os todos os meios justificam todos os fins. O Homem decreta a morte de Deus para si, mas refugia-se diante de outro altar. Os "ismos" assumiram a cadência de um coração que vai parando de palpitar. Vive-se como o povo israelita do fim do livro de Juízes, cada um faz o que parece bem aos seus olhos (Juízes 17:6, 21:25). 

Numa altura em que o Cristianismo conta cada vez mais com novas conversões (na ordem dos 2.5 milhões de pessoas por ano), é altura para questionar qual a quantidade de sal que salga e qual a intensidade da luz que ilumina. Jesus não nos diz que somos "sal e luz" apenas por dizer... Não foi apenas uma metáfora teológica, não foi uma alegoria escriturística, não foi um floreado homilético. 

Ser sal e luz implica acção válida e permanente. Salgar e iluminar são actividades constantes, não fases da vida ou períodos de tempo. Ser sal e luz é mais do que ser membro domingueiro da igreja local, é uma prática devota e diária de amor a Jesus. Não somos sal se não salgarmos, não somos sal se não influenciarmos e não marcarmos. Não somos luz se não dermos o exemplo, se não vivermos como tochas ardentes do Espírito Santo. O exemplo de vida de Jesus é mais do que um modelo televisivo. Ele não se limita a ser uma referência de uma lista de bons homens, nem uma hipótese no meio de tantas outras possíveis referências. 

Jesus é por excelência o expoente máximo de como honrar a Deus. É Aquele que não recusou o cálice da amargura, que bebeu dele até à última gota. É um Senhor que veio para servir, um Leão que serviu de Cordeiro, um Pastor que deu a vida pelas ovelhas.

Num mundo cada vez mais relativista e obscuro, sermos testemunhas de Jesus é necessário. No meio da incerteza e da escuridão, temos o chamado de Cristo para brilharmos e marcarmos a nossa posição. E temos a doce certeza de que a Sua presença continua connosco, porque Ele mesmo nos disse que enviaria o Espírito Santo para ser o nosso "Conselheiro" (João 14:15-17).

Ricardo Rosa