17 dezembro 2006

FORMAT C:


Formatar o computador... já vos aconteceu? Tenho um amigo que passa a vida a formatar o computador. Ou é um programa que não arranca, ou o sistema que dá problemas... enfim, sempre que há problemas que não se conseguem resolver de outra forma, resolvem-se com o comando "format c:".

Quando se formata o disco apagam-se permanentemente todas as informações que lá estavam contidas. Programas, fotos da família, textos, videos engraçados, apresentações de trabalhos, as nossas músicas favoritas... tudo desaparece.

O ano está a terminar e a tendência é dizer "Ano novo, vida nova". Fazer promessas. Esquecer o ano que passa. Olhar em frente apenas. Fazer "format C:" às 00h00 do dia 1 de Janeiro, qualquer que seja o local do planeta em que nos encontremos.

Esquecer o mal é bom, mas esquecer o bom é mau. Esquecer os maus momentos é óptimo, esquecer os bons momentos é péssimo. Apagar da memória eventuais falhas das pessoas é importante, limpar do disco as atitudes boas delas não é assim tão bom. Formatar a memória das falhas que Deus já nos perdoou está bem, ignorar para sempre as bençãos que Ele nos dá está mal.

Deus sabia que o ser humano é muito esquecido.... às vezes daquilo que não deve. Por isso Ele lembra-nos Salmo 103 para não nos esquecermos de nenhum dos Seus benefícios. Além disso Ele recorda nas epístolas que nos devemos considerar, amar e ajudar uns com os outros. Toda a Palavra de Deus é um "lembrete" com as coisas importantes que precisamos saber para viver bem aqui e continuar no Céu (sempre melhorando, amigos!).

Antes de mudares para 2007, pensa nas coisas boas que se passaram esta ano. Escreve-as num papel, na tua mente, no coração e regista-as numa oração de gratidão a Deus. Agradece por TUDO o que Ele fez e pelas pessoas que tem colocado ao teu lado para te ajudar, pela tua família e igreja. Pede-Lhe também para que as coisas menos boas fiquem apagadas... mas se há algo que ainda tens de resolver com Ele ou com alguém, fá-lo depressa. Acaba o ano em grande.

Quando estiveres a comemorar a chegada do novo ano, lembra-te que Deus te está a dar mais 365 oportunidades. São 365 dias com 24 horas para O amares e agires em função disso, demonstrando amor e compaixão às pessoas que te rodeiam. Deus merece e o mundo precisa.

15 dezembro 2006

Extensões das mãos de Deus

"(...) porque Ele tem cuidado de vós."
1 Pedro 5:7

Desde que acordamos até que adormecemos vivemos horas que albergam uma mistura de sensações, factos, encontros e momentos únicos. Do topo das montanhas do sucesso até aos vales amargos da desilusão, passando pelas planícies da rotina. E Deus prometeu estar lá connosco, quaisquer que sejam as situações.

O tempo nos abismos da vida parece absurdamente longo. A oração por socorro deve ser constante e a melhor atitude é ficar simplesmente prostrado perante Deus aguardando a Sua acção infalível. No turbilhão do desgosto e da dor, somos surpreendidos pela maneira particular como Deus age connosco. Ele deseja ajudar-nos de forma presente, íntima e nevrálgica. Talvez não seja como nem através de quem esperamos.

Deus surpreende-nos. Tenho visto isso ao longo dos anos e ultimamente de maneira real e marcante. Deus tem enviado pessoas à minha vida que são, claramente, extensões da Sua mão poderosa e meiga, ao mesmo tempo. Anjos desprovidos de asas, mas instrumentos vindos do céu para ajudar-me a levar a carga, fazer-me sorrir e transmitir recados de Deus para mim.

É nas atitudes mais simples e espontâneas que vejo a operação sobrenatural e gloriosa de Deus, nos mais ínfimos detalhes da minha vida. Agradeço a Deus por essas mãos. Agradeço a Deus pelo Seu cuidado. Ele promete e cuida de mim.

02 dezembro 2006

364-23


Que título mais estranho para um artigo, não acham? Aparentemente pode parecer um erro de impressão, mas não é!

364-23 é a referência do marcador florescente que anda há meses no meu estojo. Quando quiser comprar um novo, basta dar este número no balcão da papelaria. Num hipermercado, por exemplo, existem milhares de referências e códigos que diferenciam os objectos uns dos outros. Sem referências, seria complicado para as lojas gerir os stocks e nós, os consumidores, levaríamos (ainda) mais horas nas filas para pagar... A referência é importante porque nos facilita a vida: identifica o produto.

Mas agora deixemos os marcadores de lado e falemos de outro tipo de referências: as pessoas. Neste contexto, referências são pessoas com as quais nos identificamos, as quais são exemplo para nós em determinada área da vida, quer seja a nível musical, profissional, familiar e até espiritual.

“Sede meus imitadores, como também eu, de Cristo.” 1 Co 11:1

O apóstolo Paulo põe as coisas de uma forma clara. Ele diz que devemos seguir o seu exemplo assim como ele segue Jesus.  Imitar significa copiar. Isto não quer dizer que devemos perder a nossa própria identidade e as características únicas com que Deus nos criou. Significa observar as qualidades de carácter e postura, de palavras e acção e tê-las como princípios para a nossa vida.

Quando somos um exemplo, temos os olhos do mundo postos em nós e precisamos estar conscientes de que influenciamos pessoas e hábitos. Num minuto, numa palavra temos o poder de destruir aquilo que levamos anos a construir. Como humanos, todos somos sujeitos a falhar e a desiludir, apesar das nossas maiores qualidades serem uma inspiração para outros. Daí, como Paulo, temos uma obvia necessidade de ter uma referência maior: Jesus. Paulo tem uma referência e é uma referência. Esta é uma verdade que implica bastante responsabilidade.

Nos dias que correm o mundo precisa de referências e exemplos a seguir. O mesmo se passa na igreja. Que, como Paulo, tenhamos boas referências e sejamos também uma referência para a nossa geração. Como Paulo, não nos esqueçamos da referência perfeita: Cristo.

Ana Ramalho

in revista Novas de Alegria, suplemento NAJovem, Dezembro 2006