Sem máscaras

Uma espada. Afiada, certeira, mortal. Uma vida terminou. Enfrentou de cara descoberta a morte da mesma forma que viveu sem máscaras o seu cristianismo. 

Sem caracterização, nem dissimulação, mas com garantia de que estava no rumo certo, apenas anunciando o Evangelho, e Deus permitira aquele ponto final. 

Não sei como João se sentiria perante a morte do seu irmão Tiago. Herodes estava ansioso por fortalecer a sua popularidade entre os judeus. Maltratar os primeiros cristãos era fazer algo de fantástico nesse sentido.

Uma espada. Um cadáver. Um aplauso do povo. Um abalo aparente, mas depois da dor da separação, a esperança para os cristãos e a certeza de que Tiago era “mais que feliz”.

O relato(1) passa-se no primeiro Século da era cristã mas podia passar-se hoje. Podia acontecer na Coreia do Norte, mas também se podia passar com qualquer cristão que, mesmo com amor, anseia por anunciar às pessoas que Deus as ama mas não concorda com o seu modo de vida. Missionários, pastores, leigos ou professores que falam das Boas Novas, ensinam as bênçãos de Deus mas não se esquecem de falar daquilo que Jesus não aprova e deseja mudar nelas. 

A espada pode ser uma forca, uma bala, uma vida de tortura até à morte nos países sem quaisquer liberdades a nível religioso. Mas pode ser também o vizinho, o colega de trabalho, a família, um amigo que pretende a nossa tolerância a tudo o que a sociedade decide ser aceitável. 

Se Tiago vivesse no Século XXI, o que faria? Se Paulo enfrentasse a cultura “não incomodes mas deixa cada um viver a vida à sua maneira”?... 

A crítica desta sociedade não pode comprometer a nossa fé nem os princípios bíblicos de vida, assentes na harmonia completa com a vontade de Deus, clarificada na Sua Palavra.

Sem querer ferir susceptibilidades, podemos ferir o coração de Deus por deixarmos passar diante dos nossos olhos aquilo que Ele não aprova. Se o Seu amor é tão inatingível para nos perdoar, a Sua justiça também é correctíssima para condenar o erro. 

Não se trata de um legalismo mascarado de santidade, mas de um cristianismo de cara lavada, com braços abertos para aceitar o pecador, mas com o sentido de responsabilidade em guiá-lo no percorrer do caminho de Deus. Um grande coração para amar, uma boca aberta para condenar o espírito anti-Deus que invade a publicidade, as notícias, o cinema, a televisão, as conversas de café e infiltra-se em alguma fresta que encontre na igreja – e a igreja é cada um de nós.

O nosso Deus espera que sejamos seus embaixadores, não apenas de nome. Se a nossa vida deve falar mais alto que as nossas palavras, as nossas palavras precisam ser ungidas pelo Espírito Santo e espelhar a Palavra de Deus, que está no nosso coração.

Se a espada da crítica ou do martírio podem ameaçar-nos, a Espada do Espírito, que é a palavra de Deus, transforma vidas. E quem vai falar essa Palavra? Digo-vos que, se estes se calarem, as próprias pedras clamarão. (Lucas 19:40)

Ana Ramalho

1 Actos 12:1 e 2

in revista Novas de Alegria, Fevereiro 2008

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