01 março 2007

A vida é como a areia que nos escapa entre os dedos

Ela tinha sonhos como todos nós. Falava com entusiasmo acerca de projectos, de coisas que ambicionava realizar na sua vida. Dedicou os últimos anos, entre outras coisas, a trazer de novo à Casa do Pai aqueles que se foram afastando pelas mais diversas razões.

Apesar de ter consciência da fragilidade da sua saúde, ela não baixou os braços e prosseguiu em direcção a alvos vislumbrados por alguém que ama a vida e serve a Deus.

O ano começa. O casamento à porta. Abruptamente toca o telefone e recebe-se a notícia irreversível. Agora a Rute está com Deus.

Não li esta história numa revista, nem num livro do Nicholas Sparks. A verdade é que aconteceu com alguém que conhecia.

Fiquei a pensar numa verdade absoluta: a vida é como a areia que nos escapa entre os dedos. Agora estamos aqui, daqui a nada não sabemos. Hoje tens aquela pessoa perto, amanhã podes estar no seu funeral. Neste momento tens uma oportunidade fantástica de abençoar outros, na hora seguinte não sabes.

A verdade é que cada dia é uma oportunidade que Deus nos dá para fazer alguém feliz. Para quê viver apenas no intuito de construirmos apenas a nossa própria felicidade sem sequer tentar ajudar os outros? Afinal, não valem as pessoas mais do que as nossas futilidades?

Faz alguma coisa pelo mundo à tua volta, enquanto ainda seguras alguma areia nas tuas mãos.

“Não nos cansemos de fazer o bem, pois, se não desanimarmos, teremos a colheita no tempo devido” (Gálatas 6:9, Bíblia  Sagrada - Tradução em Português Corrente)

Ana Ramalho

in revista Boa Semente, secção BSteen, Março 2007

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