06 fevereiro 2013

O alvo e as testemunhas

Enquanto os atletas entravam, uma multidão peculiar aplaudia. Num estádio repleto, sem  bancadas VIP. Apenas o som estridente daquela gente, outrora no campo, alvo dos olhares alheios e do cuidado divino.
Não se trata de uma multidão enfurecida pelas anomalias da vida, nem orgulhosa pelas vitórias resplandecentes que deram tinta às páginas marcadas das Escrituras. Homens e mulheres comuns extraordinariamente agraciados pelo Deus do impossível, nos altos montes do sucesso e nos profundos vales da doença, da sombra e da morte.
Ali estão eles, como que olhando para nós, corredores dessa outrora maratona árdua, desafiante e tremenda, que um dia findou quando atingiram a meta. São uma inspiração pela confiança que depositaram numa promessa que não viram enquanto respiraram, mas que os fizeram respirar e avançar.
Essa promessa está agora diante de nós. É o nosso alvo, o nosso alento. Corremos não por um prémio solitário de pódio exaltante, mas num trabalho solidário no qual queremos que outros cheguem connosco ao fim.
Esse alvo, essa promessa é o que nos faz lutar, porque Ele lutou. Ele sabe. Ele compreende. A Sua luta foi a mais difícil que alguém alguma vez travou, numa maratona de piso escorregadio, passada por recantos sombrios e habilidosas tentações.
O Seu destino era uma cruz, a morte, para depois receber a vitória sobre a morte, ser exaltado e dar-nos a vida, se assim o desejarmos. Ele correu não por Ele mas pelo Pai, por nossa causa, para Sua alegria.
Enquanto tentamos percorrer o Caminho, as solicitações para nos distrairmos, para nos desviarmos, pararmos e retrocedermos são uma constante. A vida aclama-nos para nos embaraçar. O pecado seduz-nos para nos destruir. Calamo-nos perante o Seu exemplo e clamamos pela Sua ajuda. A nossa coragem vem d’Ele. A nossa força está n’Ele. A nossa fé é aperfeiçoada por Ele no meio de todas as circunstâncias.
 “Todos estes, embora tendo tido a prova de que Deus tinha satisfação neles, não receberam o que ele lhes tinha prometido.  Porque Deus tinha reservado para nós coisas melhores, e queria que eles viessem também a participar delas juntamente connosco. Portanto, nós também, visto que estamos rodeados por uma tão grande multidão de testemunhas, vidas que são exemplos da fé, deixemos tudo aquilo que nos embaraça, e o pecado que nos envolve tão de perto, e corramos com perseverança a carreira que nos está proposta. Olhemos para Jesus. Ele é a fonte da nossa fé e aquele que a aperfeiçoa, o qual, pela alegria que lhe estava reservada, suportou a cruz, aceitando a humilhação, vindo a sentar-se no lugar de maior honra à direita do trono de Deus. Pensem bem em tudo aquilo que ele suportou da parte dos pecadores, para que não venham a enfraquecer, desencorajando-se.” (Hebreus 11:39,40-12:1-3, OL)
Vale a pena começar, permanecer e terminar esta corrida. Com Jesus, em Jesus e para Jesus.

Ana Ramalho Rosa

in revista Novas de Alegria, fevereiro 2013


Texto escrito conforme o novo acordo ortográfico

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