"Tenho medo!"

Eram 4h da manhã. De mansinho, bateu à porta do quarto dos pais. “Mãe” disse, “tenho medo!”. De imediato, sem pensar se o pai já estava acordado ou se a mãe estaria ainda a dormir, correu para eles e escondeu-se debaixo dos lençóis, enquanto o som do trovão assustou a tempestade lá fora.
No dia seguinte, o medo tinha desaparecido. Já o sol raiava e a menina, nos seus 4 anos de energia, brincava no recreio da pré-escola, como se a noite anterior fosse apenas um pesadelo.
Todos temos ou já tivemos medos. Medo do escuro, de alturas, de espaços amplos. Medo dos fantasmas do passado, da situação presente, da insegurança quanto ao futuro. Existem medos saudáveis – medo de atravessar de uma para a outra margem do rio fazendo equilibrismo numa corda, a 50 metros de altura. Talvez alguns o façam com muita ousadia... mas a maioria não o faz porque tem medo. Medo de cair, magoar-se e mesmo de perder a vida.
Muitas vezes os medos podem ser paralisadores. Por outro lado, a demasiada audácia pode ser destruidora. É verdade que não devemos “atirar-nos de cabeça” para todas as propostas que a vida nos oferece. Devemos viver pela fé, mas também sermos sábios e prudentes. Devemos aceitar as verdades da Palavra de Deus, sem reservas, mas a nossa vida deve ser guiada por ela em todas as coisas, situações e decisões – e não apenas numa série de benefícios que escolhemos para nos satisfazer egoisticamente.
Se quem comanda o leme da nossa vida somos nós mesmos, fazendo de Jesus um mero passageiro de conveniência, os nossos medos terão toda a razão de existir. No orgulho pessoal da sabedoria ínfima humana que colocamos acima de outra qualquer, mais cedo ou mais tarde, as velas rompem-se pela presunção. O mastro parte-se nos ventos fortes das consequências das más decisões. E ainda por cima, temos o descaramento de culpar o Criador pelas desventuras em que nos metemos.
Quando Jesus está no nosso barco, quando Ele comanda a nossa vida, os nossos medos são silenciados pela Sua presença. As nossas dúvidas dissipadas pela fé naquilo que Ele transmite na Sua Palavra. As nossas inseguranças destituídas de pompa e circunstância, mesmo quando o mar abana a embarcação e as lutas da vida deixam que a água da tribulação invada por momentos o nosso pequeno barco.
Sabemos quem nos guia. Sabemos quem nos ama. Sabemos que Ele sabe tudo. Soberano. Senhor. Salvador. Rei. Criador e comandante dos ventos e dos mares. Das vagas do oceano, das ondas ferozes da vida.
E isto, mais do que uma verdade racional, precisa ser um princípio real que vivenciamos, pois aceitamos pela fé as palavras d’Aquele que nos diz: “Não tenhas medo, porque estou contigo; não te aflijas, porque sou o teu Deus. Eu torno-te forte, ajudo-te, protejo-te com a minha mão direita vitoriosa.” (Isaías 41:19, BPT)
Escondemo-nos debaixo da Sua mão protetora. Refugiamo-nos à sombra da Sua Palavra, que é vida para nós. Entregamos os nossos medos, angústias e desilusões nas melhores mãos: aquelas que foram trespassadas, para que fosse possível sermos filhos de Deus.
Obrigado Jesus, porque estou em boas mãos – as Tuas!


Ana Ramalho Rosa

in revista Novas de Alegria, março 2013


Texto escrito conforme o novo acordo ortográfico

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