“Quanto vale uma vida?”

A edição de 25 de fevereiro passado da revista Sábado despertou a minha atenção com este título, encabeçando uma investigação acerca do Estado e dos seus critérios de investimento na área da Saúde.
“Qual o valor de uma pessoa? Haverá um limite orçamental para salvar a vida de alguém? E quem determina esse limite?” – questões que, se calhar, nos passaram pela mente quando assistimos a diversas notícias acerca de pessoas a morrer enquanto esperavam por ser atendidas nos serviços de urgência, enquanto aguardavam que lhes dessem autorização para ter acesso a um medicamento que iria tratar do seu problema de saúde, etc..

Não me cabe a mim discutir aqui o orçamento de Estado, embora contribua com os meus impostos para o “bolo geral”, mas quero, isso sim, pensar no valor de uma vida...
“Muitas vezes vinham cobradores de impostos, e outras pessoas de conduta reprovável, para ouvirem Jesus. Isto, porém, dava origem a queixas por parte dos fariseus e mestres da lei, por se misturar assim com gente condenável, chegando até a comer com eles!” (Lucas 15:1-2, OL)
Seguindo o costume judaico de usar três histórias para apresentar uma verdade, Jesus conta três parábolas: a ovelha perdida, a moeda perdida e os filhos perdidos. Nestas três histórias do quotidiano, Ele apresenta aos seus maiores críticos o porquê da Sua atitude para com aqueles que eram mais marginalizados pela sociedade da época.
Quando fala da ovelha que deixou as outras 99 e foi encontrada pelo pastor, Ele explica “Semelhantemente, haverá mais felicidade no céu por causa de um pecador perdido que voltou para Deus do que por os outros noventa e nove que não se desgarraram!” (Lucas 15:7, OL)
Ao contar a história da mulher que perdeu a sua valiosa moeda, ficando apenas com as outras 9, da sua diligência em encontrá-la, e da sua alegria ao descobri-la, Ele comenta “Assim também há alegria entre os anjos de Deus quando um pecador se arrepende.” (Lucas 15:10, OL)
Jesus sobe a fasquia e fala dos dois filhos perdidos, um que abandonou o pai e o outro que tinha uma atitude de empregado e não de filho. O filho mais novo, depois de se ausentar e gastar a sua parte da herança, regressa como um mendigo, à casa do pai, à procura de misericórdia – perdão e um emprego. Como aquele pai esclarecia o filho mais velho, Jesus esclarece os Seus ouvintes: ‘Meu querido filho, eu e tu continuamos ligados e tudo o que possuo é teu. É justo, porém, que festejemos, pois o teu irmão estava como morto e tornou a viver; estava perdido e foi achado’.” (Lucas 15:31-32, OL)
Podes estar perdido ou perdida porque a certa altura da vida foste descuidado e acabaste por ficar longe de Deus, perdido e magoado, como a ovelha. Ou talvez, como a moeda, podes estar perdido, mesmo frequentando uma igreja evangélica. Talvez tenhas escolhido deliberadamente seguir o teu próprio caminho, deixando Deus, e te sintas indigno de ser recebido de novo por Ele. Ou podes ser filho de Deus, mas ter mentalidade de escravo, não compreendendo todo o Seu amor, tudo o que Ele já te deu e tem para ti e, por isso, tendo uma atitude de arrogância quando alguém que não corresponde aos teus “padrões” se chega a Deus. Mas, para todos estes casos, a resposta é a mesma: há um Deus que nos ama, que está pronto a receber-nos e, mediante o nosso arrependimento, pronto a perdoar-nos.
Quanto vale uma pessoa para Deus? Deus amou tanto o mundo que deu o seu único Filho para que todo aquele que nele crê não se perca espiritualmente, mas tenha a vida eterna(João 3:16, OL)
O amor de Deus não tem limites orçamentais ou filas de espera. Ele está disponível a todos os que reconhecerem que estão perdidos e que precisam da Sua direção. Para estes, há uma promessa de Jesus “O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir. Eu vim para que as minhas ovelhas tenham vida e a tenham em abundância. Eu sou o bom pastor. O bom pastor está pronto a morrer pelas suas ovelhas.” (João 10:10-11, BPT)


Ana Ramalho Rosa



in revista Novas de Alegria, junho 2015



Texto escrito conforme o novo acordo ortográfico

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