Inclusivo ou exclusivo?

A Igreja enfrenta uma disseminação de doutrinas (conjunto de instruções, princípios, posições ou ensinamentos) e teologias (denominadas erradamente desse modo, pois a Teologia encarrega-se do [limitado] estudo de Deus), de entre as quais a chamada Teologia Inclusiva, é uma das mais recentes e que mais agitação causa.

A Igreja deve ser inclusiva, isto é, deve receber todos aqueles que estão fracos e oprimidos, cansados e abatidos, maltratados e violentados, escorraçados e descriminados. A Igreja é O local certo para a restauração de qualquer ser humano, seja o seu estado qual for. A bela lástima a que podemos chegar, não é impedimento para o Deus que ressuscita mortos, divide mares, se manifesta através de colunas de fogo pelo deserto ou no mais básico, para o Pai que criou os céus e a Terra e tudo o que neles há. Mas não é um local de permanência na mesma miséria com que se chega. O “Venham a mim” (Mateus 11:28) de Jesus é condicional, porque apesar de Ele nos chamar e de aliviar a nossa carga, somos também chamados a aprender com Ele e a carregar o fardo da santidade, amor e submissão a Cristo e por Cristo.

A inclusividade é para aceitação e regeneração, não para tolerar e apaziguar socialmente.O nosso sentimento não pode ser de repulsa perante os abatidos, mas não podemos ser coniventes com a proliferação dos maus ensinos e da manutenção do pecado; sobretudo no meio do Corpo de Cristo. Receber e amar os que chegam maltratados, mas participar na sua restauração; amar em Cristo aqueles que ainda não são novas criaturas, mas partilharmos diariamente o que Ele opera em cada um de nós.


A posição da Teologia Inclusiva é “a de demonstrar pela Palavra, que a homossexualidade é um aspecto da diversidade humana, tal como a cor dos olhos e do cabelo”[1]. Existe uma necessidade prática e homocêntrica de criar uma alternativa, para quem assume um estilo de vida alternativo e diferente de toda a instrução de Deus, no que toca aos relacionamentos íntimos e geradores de família. Num chart político, a Teologia Inclusiva alinhará pelo perfil do Bloco de Esquerda ou do Partido Comunista Português, numa tentativa de analisar as Sagradas Escrituras de um modo liberal e que agrade a todos, ou pelo menos, seja mais politicamente correcta.   

Um questão pertinente, é se a Igreja actual (sobretudo a igreja local, enquanto representação física e palpável da Igreja Universal) deve ou não ser inclusiva. E qual o grau da sua “inclusividade”. Trata-se de uma análise necessária, tanto mais quando nos deparamos com um mundo em constante mudança, onde a corrupção da carne produz efectivamente mais estragos e mais danos, tanto no Homem, como na restante criação. O argumento contra-natura é desvalorizado, com o recurso a exemplos da vida selvagem e animal. Existe (por parte dos inclusivistas) uma tendência para bestializar o Homem e tornar Deus em Karl Marx. O vermelho que cobre o madeiro onde foi pendurado Cristo, já não é o vermelho do sangue sacrificial e expiador, mas o partidário liberal de Leste que patrocina a tese do Übermensch[2]. Centralização da vontade de Deus dentro da vontade do Homem, hedonismo espiritual e uma boa dose de falta de seriedade, honestidade e submissão aos padrões divinos.                

Através da aceitação de Jesus como Senhor e Redentor, Deus opera com o Espírito Santo para a nossa restauração emocional, espiritual e sexual. Os laços violentados da intimidade são restaurados e os tormentos da tentação carnal são combatidos. O mesmo Deus que ressuscita mortos e cria Adão do pó, também restaura os padrões da sexualidade humana, que tal como toda a Criação, se encontram num declínio elevado e rápido, até ao fim dos tempos. Devemos saber receber e ajudar aqueles que são atormentados pelo pecado, mesmo pelo pecado sexual e pelo desvio do que é correcto aos olhos de Deus. Os padrões da moralidade humana só podem ser medidos e correctamente avaliados pelo padrão divino, imutável e perfeito; nunca pelo padrão carnal, inconstante e corruptível de um nosso semelhante.


Adaptar e extrapolar contextualmente os casos de Noemi e Rute, David e Jónatas, Daniel e Aspenaz, além de ser má prática, é também uma atitude a roçar a blasfémia. A instituição do relacionamento humano íntimo e sexual começa no Éden, quando Deus cria homem e mulher, à Sua imagem e semelhança espiritual (Génesis 1:27). O início dita a regra da futura procedência, isto é, estabelece as bases pelas quais nos devemos reger e o padrão que agrada e contenta o coração de Deus. Ver que tudo o que foi criado no sexto dia foi muito bom, é sinónimo de demonstrar que aquela é a intenção clara e admissível de Deus. Ainda que se admitam teses liberais mais antropocêntricas, a questão da ordem processual da Criação e da reprovação do acesso ao Reino por Paulo, quando este escreve à igreja em Corinto (1ª Coríntios 6:9), servem para redefinir a vontade expressa de Deus. O próprio Senhor Jesus afirma essa distinção de género sexual e da vontade do Pai (Mateus 19:4-5, Marcos 10:6-7). 

Devemos ser inclusivos para recuperar e reabilitar, mas exclusivos de Cristo para viver.

Ricardo Rosa


[1] - Feitosa, Alex - http://teologiaeinclusao.blogspot.com/2011/01/o-que-e-teologia-inclusiva-definicao.html

[2] - O Super Homem de Nietzsche, descrito no livro de 1883 “Assim falava Zaratustra”

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