Vamos às compras?

Não sei se acontece contigo, mas comigo é habitual. Entrar no hiper-mercado à procura de algo e não o encontrar no corredor do costume.
Estamos habituados a fazer determinado percurso e a ter as coisas arrumadas por secções e prateleiras. Mas as técnicas de venda, para nos obrigar a passar mais tempo em contacto com os produtos e nos fazer gastar dinheiro, alteram regularmente a localização de certos produtos... 
Quando se fala de fé e razão acontece exactamente isso. Não estamos habituados a ver as duas coisas na mesma prateleira. Por vezes achamos que a fé é algo místico, que trabalha em função de coincidências e do bom ou mau “humor” de Deus...
Ou então que aquilo em que cremos não pode ser compreendido, nem pensado. Como se a fé fosse uma espécie de telecomando e nós fossemos robots que não têm vontade própria. Como se a razão fosse em si mesma inimiga da fé... Pensar, ler, investigar, compreender as coisas que Deus revela na Sua Palavra parece, na mente de algumas pessoas, algo “pouco espiritual”. Como se pensar nos desprovesse de sermos santos e nos levasse a deixar Deus de parte.
Gosto muito do que Paulo diz à igreja em Roma: “Não se conformem com os padrões e costumes deste mundo, mas sejam como gente diferente, através da renovação da vossa maneira de pensar. E dessa forma conhecerão o que Deus deseja que façam, e verão como a sua vontade é realmente boa, agradável e perfeita”. (Romanos 12:2, versão “O Livro”)
A nossa fé está de mãos dadas com a razão. Se fizermos as coisas apenas por regra e não por convicção, mais tarde ou mais cedo o “verniz estala” – quem somos na verdade vem ao de cima. Mas se o Espírito Santo renovar a nossa mente, através da investigação sincera da Palavra de Deus, influenciando positivamente o nosso modo de pensar, as nossas consequentes acções serão a expressão de uma convicção e não de uma emoção ou imposição.
A fé vem pela meditação na Palavra de Deus. Isto não envolve só sentimentos e vontade. Envolve a nossa mente. Compreender que a vontade de Deus é boa, perfeita e agradável exige uma operação directa de Deus no nosso coração e na nossa forma de pensar. Viver a vontade bíblica na sua plenitude requer razão e coração.
No meio das nossas investigações, nem sempre vamos ter uma explicação racional para tudo o que Deus faz, permite e é. Mas aí precisamos confiar que o nosso Deus, que compreendemos em parte, é bom, soberano e que tudo o que faz é para um propósito que por vezes só Ele sabe.
Esse facto faz-nos compreender a nossa condição como homens e mulheres, seres limitados que servem a um Deus ilimitado em poder e conhecimento. Mas também nos deve fazer desejar conhecer cada dia mais o nosso Deus.
Que possamos dia-a-dia ter a nossa forma de pensar renovada, segura e esclarecida, em submissão ao Deus Omnisciente que servimos.
Ana Ramalho

in revista Novas de Alegria, Suplemento NAJovem, Agosto 2009

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Teresa — até que todos ouvissem...

5 mitos acerca da chamada a tempo integral

“Tá a escaldar!”